Já faz algum tempo que não partilhava um Bites & Bits. Bites & Bits é um espaço um partilho fragmentos dos meus meses, normalmente com ajuda de fotografias e/ou desenhos. É uma espécie de diário composto de imagens e pequenos textos sobre os pontos altos (às vezes baixos), relevantes ou que mais tarde gostava de recordar. O último que publiquei foi referente a Janeiro deste ano.1
Fevereiro
Fevereiro foi marcado por chuvas mil e a urgência de comprar um novo portátil (partilhei mais sobre isso no último No estúdio em Fevereiro).2
A ilustração que vêm nos ecrãs é uma das novas ilustrações que foram acrescentadas ao livro Período da Patrícia Lemos, que foi re-editado em Abril com mais páginas (e ilustrações criadas por mim).


Em Fevereiro estava a conseguir manter o meu diário gráfico de desenhos, que podem ver no seguinte vídeo, mas depois disso deixei de conseguir ser consistente, essencialmente porque tive temporadas em que precisei de repouso absoluto na minha mão direita.
Por norma costumo ouvir rock e metal, mas ao longo destes meses troquei a minha música de fundo para lofi (em particular Lofi Coffee) e quando quero estar concentrada numa tarefa tenho estado a ouvir música electrónica e techno. É o que tem funcionado e por isso não tenho ouvido outras coisas.
Março
Março foi passado de volta do fanzine sobre o Stephen King,3 sobre o qual espero escrever sobre brevemente, exames e consultas. No final do mês a minha médica de família passou-me fisioterapia para a minha mão. Só consegui vaga para a consulta inicial de fisioterapia no final de Junho… e agora estou em lista de espera para começar a fisioterapia.





Algures nesta altura decidi dar uma volta a alguns cadernos/sketchbooks que tenho por usar,4 e acabei por começar um sketchbook que tinha comprado em 2017 no extinto Book Depository - um Magma Sketchbook: Art & Illustration: Mini Edition, que é perfeito para esboços, particularmente esboços soltos para experimentar ideias e configurações para futuras ilustrações. Tem um formato diferente dos standards5 - 12.5 x 16.8cm o que permite que o possa levar para qualquer lado, caso necessite. Quando escrevi a publicação os cadernos com que comecei o ano partilhei os diários gráficos que estava a usar, e desde que senti que o Moleskine que estou a usar para os esboços toscos estava quase a terminar que estou à procura de outros cadernos de desenho para o substituir. Os Magma Sketchbooks são uma hipótese,6 mas tenho também de reserva dois cadernos lisos A5 da Clairefontaine com papel 90g que penso que serão os sucessores permanentes do Moleskine. Para este tipo de desenho não preciso de papel de grande qualidade, preciso que aguentem lápis, normalmente uso os Prismacolor Col-erase, que são lápis de cor que podem ser apagados com borracha ou canetas apagáveis.7



O que me tem ajudado a manter a sanidade, quando não posso desenhar, tem sido ver Critical Role, em particular a Campanha 4. Basicamente é ver outras pessoas a jogar Dungeons & Dragons, neste caso especifico todos os jogadores são actores e bons contadores de histórias. E como a campanha está ainda no início tenho conseguido acompanhar à medida que sai (o que em alguns casos corta as horas onde costumo ler). Estou a gostar imenso dos temas desta Campanha e das personagens. Para mim é quase como ouvir um bom livro de high-fantasy, mas com a particularidade de não ser previsível.
Abril
A primeira semana de Abril foi uma corrida contra o tempo para terminar o fanzine, imprimir e montar o objecto físico.
Desnorteei-me e ia-me perdendo em Lisboa à procura do autocarro que me levou ao Festival Contacto, mas cheguei inteira e com tempo para almoçar antes da hora que ia dinamizar. Tínhamos uma sala à nossa disposição, o fanzine e alguns pins que decidi levar à última hora. Muito próximo do evento decidi que o fanzine era um ponto de partida para uma conversa - estávamos ali para falar sobre os livros do autor, e por isso convidei a quem estava presente a partilhar os seus livros favoritos do autor. Foi uma conversa super interessante e diversa sobre o que gostamos ou não nos livros do Stephen King.





Regressei de Lisboa cansada e cheia de ideias para uma ilustração que quero fazer há algum tempo, inspirada nos livros do Stephen King. Na imagem em baixo podem ver alguns dos esboços para a próxima estante que vou desenhar, e que inclui a obra (quase) completa do autor.
Demorei mais tempo do que queria a terminar esta ilustração, mas espero revela-la brevemente, juntamente com alguns produtos que criei com as ilustrações originais do fanzine.
Em Abril fiz 37 anos, o dia foi passado a escrever o fanzine e a corrigir o texto. Foi um dia calmo e creativo.


Depois do fanzine terminado, e influenciada por algumas das leituras que estava a fazer para o Abril Contos Mil, comecei a desenvolver algumas ideias e pesquisas para futuras histórias que tenho estado lentamente a criar.8 Partilho o caos da secretária, os cadernos cheios de notas, folhas soltas etc. O problema de preferir fazer estes apontamentos à mão é que ultimamente uma sessão de escrita traz-me dores e nos dias seguintes preciso de fazer gelo e repouso. Estupidamente demorei uns tempos a perceber isso e por isso foi difícil encontrar um equilíbrio.
Maio


Mais uma visita à médica de família e medicação. Estava um dia bonito no dia em que tirei estas fotos.
Se calhar não foi boa ideia querer fazer desenhos diários, e semanais também, a registar o que tenho feito. Era previsível que não iria ser regular, mas estava a contar conseguir desenhar vários de seguida. Com as dores na mão direita, isso tornou-se mais difícil, em particular com a esferográfica que costumo usar - Milan P1 Touch preta. Ao começar a usar uma Bic Crystal Azul que tinha, dei conta que a tinta da esferográfica flui melhor e que fico com os dedos menos tensos. Comecei também a usar canetas de gel Uni-Ball Signo UM-120 0.7mm e a notar diferenças. Ainda não consegui ter os desenhos em dia, mas ao menos já descobri algum material de escrita que não me provoca tantas dores.
E já que estou a queixar-me de material de escrita, tem sido um pesadelo encontrar lápis de desenho normais, os típicos HB ou N2 (da Staedtler) que sejam macios e não tenham madeira reciclada. Para o usuário normal se calhar não faz diferença, aliás tem a vantagem que a mina e o lápis não se gastam tão depressa. No entanto para mim é um pesadelo. A mina está mais rija e preciso de fazer mais força para que fica escura no papel, não tem o efeito a que estou habituada, e estou convencida que também não ajuda com a tensão na minha mão. Já arranjei alguns lápis B (N1) , alguns deles ainda com madeira antiga e que fazem toda a diferença no desenho final (especialmente quando são desenhos que quero digitalizar e colorir digitalmente sem antes usar marcador). Depois de usar os lápis que tenho terei que ponderar se é desta que vou ter que apostar em lápis das gamas artísticas em vez das escolares.
Estive um bocado perdida no que me devia focar, e acabei por decidir continuar alguns desenhos que tinha começado o ano passado. Alguns deles são desenhos natalícios que espero transformar em postais, outros são uma série de desenhos inspirada em parte pelo livro The Bell Jar, outros envolvem fantasmas, e outros ainda pessoas a ler.
Alguns dos desenhos precisavam de um lineart final a lápis, para depois serem passados a marcador preto noutro papel.
Todos os meus desenhos que quero transformar numa ilustração começam com esboço a lápis de cor,9 por cima costumo fazer um desenho mais definido a lápis de carvão (daí que precise que seja escuro o suficiente para se tornar distinto do esboço/linhas de construção). Alguns desenhos são digitalizados assim e faço a parte das cores digitalmente. Noutros casos passo o desenho a limpo para outro papel com ajuda da mesa de luz. Por norma uso Pigment fineliners pretos10 para a lineart final e marcadores acrílicos para as grandes superfícies a preto.11




Junho



Com Junho veio a minha única visita à Feira do Livro de Lisboa, onde aproveitei para estar com algumas pessoas e para comprar alguns livros que mostrou no Diário de Leituras que tenho estado a escrever.


Destaco dois livros de não ficção que quero muito ler e adicionar às minhas pesquisas para as histórias que quero escrever.
Ainda na Feira do Livro de Lisboa tive a oportunidade de ver ao vivo e a cores a nova edição do Período com ilustrações minhas, e ao lado estava um outro livro que ilustrei - O Meu Diário Superfixe. Ambos da Booksmile, do grupo Penguin.



Tive de fazer mais um exame, e isso levou-me ao outo lado da cidade. Pelo caminho acabei por fotografar alguns marcos da cidade que já não via há algum tempo. Fiquei a pensar que seria uma boa ideia de vez em quando sair de casa com o telemóvel na mão12 e olhar para a cidade com outros olhos, perder-me nos detalhes que posso fotografar. Se não estivesse tanto calor era uma ideia interessante para fazer quando a cidade está mais vazia, mas é algo para ponderar, especialmente porque se não tiver razão para o fazer, não saio de casa.


Estive a fazer experiências com capas de cadernos, a adicionar mais livros às minhas listas infinitas de coisas que quero ler e ou pesquisar.
Acabei por rever os meus cadernos de ideias e a selecionar os produtos que quero desenvolver para a Nuts for Paper para os próximos seis meses - agendas, calendários, as ilustrações que mencionei antes, entre outras coisas.



Não tem sido um bom ano de vendas na Nuts for Paper, e vai demorar um pouco até ter colecções novas, por isso coloquei algumas ilustrações originais à venda numa tentativa de criar espaço para nova arte e ver se entrava algum dinheiro.



Terminei as ilustrações que queria. Quase 60 ilustrações, tamanho A5 e a preto e branco. Já as digitalizei e estou a começar a desenvolver os produtos que programei.
Tenho muitas coisas para mostrar, mas algumas precisam de ser testadas primeiro, fotogradas “como deve ser” antes de as poder mostrar.
Espero partilhar tudo brevemente.
Neste mês comecei a ouvir/ver o podcast Weird Kids, com os actores Ashley Johnson e Taliesin Jaffe, ambos membros do Critical Role. Tem sido a minha companhia quando estou a desenhar ou não me apetece ler.
Janeiro'26
Como escrevi na publicação No estúdio em Janeiro, o início do ano foi lento, frio e aguado. Janeiro foi um mês passado em parte em em modo de hibernação e reflexão.
escrevi um pouco sobre o fanzine na publicação No estúdio em Fevereiro.
Não tenho tantos por usar como cheguei a ter noutros tempos. Há sensivelmente 20 anos atrás implementei a regra de usar os cadernos que tenho antes de comprar novos. Como mais ou menos nessa altura comecei a usar cadernos diariamente, fui gastando os cadernos que tinha em stock. Uns anos depois comecei a fazer os meus próprios cadernos para a Nuts for Paper e o resto é história. No entanto… há ainda alguns cadernos que fui guardando para usar em alguma situação especial (que ainda não aconteceram, e por isso está na altura de repensar sobre o assunto). Se gostam de cadernos escrevi no passado duas publicações onde partilhei sobre como uso os meus cadernos: vou precisar dum caderno para isso… e os cadernos com que comecei o ano.
Normalmente uso cadernos e diários gráficos A5 (14.85 x 21 cm)
Tenho outro à espera para ser usado
Mas como não tenho conseguido comprar recargas para estas canetas acabei por começar a apostar em canetas de gel.
Alguns dos livros que li este ano, que fizeram ter ideias interessantes: The Paper Menagerie and Other Stories de Ken Liu, The Strange Case of the Alchemist’s Daughter de Theodora Goss, The Very Best of Caitlín R. Kiernan e No One Will Come Back For Us: And Other Stories Premee Mohamed
Com os Prismacolor Col-Erase, que são lápis de cor apagáveis. Normalmente não uso a borracha para limpar estes desenhos, porque vou sempre usar linha mais escura com lápis de carvão.
Que basicamente são marcadores finos, gosto dos Staedtler pigment liner de todas as espessuras. Nas últimas ilustrações tenho usado 0.5mm, mas quando fiz ilustrações para serigrafia/t-shirts usei os 1mm e 1.2mm (os mais grossos). Também gosto dos Sakura Pigma Micron.
Tenho usado os Pebeo Acrylic Markers porque tem uma gama interessante de espessuras - normalmente uso o 0.7, 1.2 e 4mm com marcador preto, e 0.7 e 1.2mm com o branco.
a máquina fotográfica que tenho no momento



















